A MULTIPLICAÇÃO DE PÃES, PEIXES E COINCIDÊNCIAS

Por João Anzanello Carrascoza

Desde que lançamos o site Diário das coincidências, há dez dias, as histórias de coincidências não param de chegar. Multiplicam-se, como no milagre bíblico dos pães e dos peixes.

O cesto no qual acolhemos as primeiras contribuições começa a se encher. E um fato expressivo, ainda que não imprevisível, sucedeu: muitas histórias repetem os mesmos episódios (com alguma variável narrativa), descrevem situações similares, carregam tramas ou desfechos que coincidem.

A lógica do universo, ou a sua escrita torta, ratifica certas ocorrências nas linhas e entrelinhas dos relatos. Mas também há surpresas que fraturam tal padrão e nos convencem da engenhosidade do destino — ou de seu reverso, o acaso.

Combinei com a Luara França, da Alfaguara, que receberia as contribuições sem rastros de autoria. Ao ler as histórias enviadas, minha intenção  é ser flagrado, como na vida, pelo inesperado, independentemente das mãos que o trazem, sejam de amigos ou de desconhecidos.

Anônima é a vocação da vida para encantar, a qualquer hora. E se há coincidências que se estruturam de forma idêntica (até nos detalhes), descobri nesse cesto outras que, num movimento mágico, reinventaram a alegria, o fascínio e o milagre da literatura.