E ASSIM COMEÇOU

 por João Anzanello Carrascoza

Desde criança, as coincidências me inquietam. Ora pelo susto que me causavam, quando, de repente, acendiam-se como holofotes diante de meus olhos; ora pelo encanto, sutil, de revelarem um pequeno lume entre meus dedos.

Talvez porque elas sejam tecidas por longo tempo – e só nos aparecem quando totalmente prontas –, demorei para escrever sobre as mais expressivas, que, nos últimos anos, acumularam-se em meu caminho.

Chegou a hora: meu desejo de recontá-las coincide com a minha leitura – hoje mais atenta – do universo.  

Coincidências são como véus transparentes que, de súbito, tornam-se visíveis. São, portanto, uma espécie de texto. Fios de fatos que se alinham, tecendo surpresas.

Todo texto é um acontecimento: por meio dele, quem enuncia produz efeitos de sentido, visando marcar uma posição; e quem o interpreta, atribui-lhe um significado, também de acordo com sua posição.

Então, quem enuncia, em nossa vida, tantas coincidências? O destino ou o acaso? E quais significados damos a elas? 

Assim, comecei a escrever as primeiras histórias deste “diário”. E, claro, nessa escrita misteriosa, cabe você e a sua maior coincidência.